"Amei as palavras e as odiei. Espero ter usado-as direito." - Liesel Meminger
" A saudade não mata porque tem o poder de torturar!"

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Essa vontade de dançar

Os movimentos lentos dos braços percorrem a minha silhueta. As pernas deviam subir bem mais do que sobem. Deviam flexionar-se bem mais. A barriga, pra dentro, provoca desconforto e falta de ar. Os olhos caminham lentamente pelo lugar, achando um ponto fixo no espelho. A leveza dos movimentos começa junto à música, os pés sobem, os braços deslizam, nada importa. As pessoas, sentadas, assistindo, ainda não entendem o porquê dessa menina tão desengonçada estar fazendo tudo isso. Ou melhor, tentando fazê-lo. “É óbvio que com anos de prática ela ainda não fará bem, certo, leve, como queremos ver!”.
Danço porque sou uma masoquista. Sinto paixão em ouvir àquela música e buscar àquela sequência que parece ser impossível de memorizar. O professor me olha com um sentimento tão difícil que, nos meus perceptivos catorze anos de vida, ainda não consegui identificar. É um olhar de desprezo, tão fortes e misturados que, sozinhos, não expressariam um quarto do que ele sente. Quantas vezes já tive que ouvir “desista! Isso não é pra você!”
Se acham que quero fama, erram. Se acham que quero ensinar, erram. O que eu quero com essa baboseira toda é sentir. Pensam que é fácil? As ligações das pernas doem, tudo dói. Mas é uma dor crível e bonita. É como se ela dissesse, baixinho "Vai melhorar, você vai ver!". E, afinal de contas, o que é que nessa vida não dói? Amar dói, chorar dói, até ser feliz dói. E quando eu danço, pela primeira vez, sinto que alguém se importa: Eu. Sinto que posso mexer os dedos, os braços, as costas e a mente ao mesmo tempo, porque aquilo é um pacto entre eu e mim mesma.
Sinto que a música consegue penetrar nesse meu coração de pedra. Sinto as batidas ritmadas, os cabelos suados, e a paixão pela arte entendendo tudo o que acontece, bem mais do que eu mesma entendo. O corpo. A melhor coisa do mundo é entender o seu próprio corpo. E poder controlá-lo. E poder agir conforme ele pede. E isso é dançar.
Num céu onde o seu corpo é o sol e os pensamentos são as nuvens que o cobrem. Eles precisam um do outro pra viver, emocionar, dançar. Isso é a dança!

Pauta para Blorkutando: "Um texto Descritivo"

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. que engraçado, eu aqui pensando em voltar pro ballet, algo que nunca fiz pro meu futuro e sim pra mim, acabo lendo um texto desses (: lembrando que u tenho 16 anos, e não sou lá muito ajeitada também ;s

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  3. Perfeito!
    É exatamente assim que eu me sinto, aula de ballet, após aula de ballet... os olhares querendo meu fazer dessitir, a harmonia musical juntamnete a dança que convencendo a ficar e as dores e os esforços gritando "você vai melhorar"

    Parabens por esse texto!!
    =)

    Fernanda
    ( www.oqueaconteceuhoje.wordpress.com )

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